Disposto a começar de novo

19 jan

Já é difícil por si só entender essa pequena palavra…

Imagine que você construindo uma fileira enorme de dominós, você já fez várias curvas, linhas retas, desenhou, colocou peças difíceis, no meio do caminho quase colocou tudo a perder, agora falta pouco para acabar, poucas peças para terminar todo o seu trabalho de horas, ou quem sabe dias… Faltando apenas cinco peças… Uma linha reta… Você já fez todo o trabalho mais difícil, essa aparentemente é a parte mais fácil, e antes que você perceba… Puff… Uma das peças escapou da sua mão, ou você esbarra sem querer, calcula mal, coloca uma peça perto demais da outra, e agora tudo o que tem a fazer é esperar e observar tudo o que você construiu simplesmente desmoronar, os desenhos, as curvas, todo o seu empenho ruiu.

A sensação que bate é de frustração, não acha?  Tanto trabalho pra nada…

Mas ao invés de se lamentar, você levanta peça por peça, novas linhas, novos desenhos, novas curvas… Uma por uma… Recomeçando todo o seu trabalho…

Somos assim, realmente dispostos a recomeçar quando algo dá errado e foge do nosso controle? Creio que na maioria dos casos a resposta seja: Não.

Mas é o mais provável, é mais fácil abandonar do que retomar todo o trabalho.

O Ano começou a pouco mais de uma semana, essa é a época  de fazer promessas e planos , mas se olharmos para o ano passado, vamos ver  que vários desses mesmos planos foram deixados de lado, esquecidos ou largados pela metade.

Por que temos a idéia de que todo começo de ano é época de Novos Projetos? E os que já firmamos e não terminamos?

A cada dia deve ser um recomeço em nossas vidas, às vezes desistimos quando devemos continuar, por medo, por insegurança, simplesmente abandonamos sonhos e planos. Um recomeço significa o quanto estamos dispostos a lutar pelo que já começamos, assim como a linha de dominó, só é perfeita se todas as peças forem colocadas em seus respectivos lugares. As vezes falta força, falta ânimo, falta disposição..Mas quem disse que a força é nossa..ou que ela vem de nós? A nossa força vem de Deus… Ele nos anima, nos fortalece… Basta nos dispormos a recomeçar… Um passo de cada vez…

Esteja disposto a começar tudo de novo, persista, recomece quantas vezes for preciso, mas não desista…

 

Neo  Santos

@neo_santos

Recomeçar…

18 jan

Recomeçar, retornar, se converter, voltar ao primeiro amor. Um novo ano começou e ele não vai mudar se suas atitudes forem as mesmas, o ano muda e você também precisa mudar.

Quando ouvimos a palavra recomeçar, sentimos até medo, já que mudanças, muitas vezes, podem ser dolorosas, cheias de sacrifício. Entretanto, podem ser boas, com muita alegria e acreditando que vai ser diferente. Eu acredito que mudar sempre traz algum tipo de alegria, sempre traz um novo motivo para ser feliz. Mudar é recomeçar, é ter certeza de que tudo vai ser diferente e que atitudes erradas serão corrigidas, que atitudes certas serão repetidas.

Recomeçar é muito importante para o ser – humano, já que mudanças fazem parte das nossas vidas, por isso nesse ano vamos recomeçar mudar, voltar, se converter. Retornar ao primeiro amor que nos renova a cada dia.

Afinal, recomeçar pode ser a melhor opção, e que esse ano seja cheio de recomeços e que sejam verdadeiros de coração. Para que sua vida seja cheia de graça do nosso Deus.

Evelyn Siqueira

@evelynalvino

Recomeçando a recomeçar

17 jan

Esses dias eu tava fuçando na Bíblia e me deparei com o seguinte versículo:

Isaías 47: 13-14

“(…) Levantem-se, pois, agora, os que dissecam os céus e fitam os astros, os que em cada lua nova te predizem o que há de vir sobre ti. Eis que serão como restolho, o fogo os queimará; não poderão livrar-se do poder das chamas; nenhuma brasa restará para se aquentarem, nem fogo, para que diante dele se assentem.”

Só digo uma coisa pra quem acredita em signos e etc: VISH!

Mas, enfim, não era isso que eu ia falar.

Estamos no início de um novo ano. Já estamos na metade de janeiro. 2012 já está passando e tem pressa. E como já é de costume de todos nós crentes e não-crentes, fazemos planos e mais planos para o ano que está começando.

O problema é que isso já virou piada e, apesar de ainda planejarmos muitas coisas para o ano que chega, já não acreditamos que tudo isso virá a ser realidade, e fazemos graça com aquilo que projetamos. Um exemplo besta é a “dieta do ano novo”… Que termina no almoço do dia 1° de janeiro. O que eu quero dizer é que levemos mais a sério esse “recomeço” que o ano novo simboliza.

É claro que não precisamos esperar a virada do ano para começar uma vida nova. O ideal seria a cada dia começar de novo, e recomeçar no outro dia e recomeçar no outro dia e recomeçar e recomeçar… todos os dias tentar pôr em prática tudo o que a Bíblia nos ensina e tentar se desconectar mais do mundo e conectar-se mais a Deus. Mas o ano novo é uma ótima desculpa para um recomeço.

Precisamos ter um alvo, um objetivo, um caminho a seguir. O recomeço é apenas isso: reconhecer que estávamos caminhando de maneira errada e estabelecer um plano de voltar para a estrada certa. A iniciativa foi tomada? Então você já recomeçou.

Mas, recomeçar é só o primeiro passo. Temos que aprender também a perseverar e a dar continuidade ao que (re)começamos. Mas isso é assunto pra outro dia. Aprendam com esse simples texto, que começou falando do assunto errado, mas que recomeçou e atingiu o seu objetivo no final.

Vinicius Ernani – @viniciusernani

 

Não basta pintar as paredes com cores diferentes!

11 jan

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Certo dia destes eu estava “zapiando” alguns canais de TV, nestas minhas férias providenciais, quando me deparei com um canal, não muito conhecido na TV a cabo, onde um religioso alegava ser de uma religião diferente de todas as demais no mundo, pasmem! Alguma coisa relacionada aos Templários, ou algo parecido.

Fiquei interessado pelo discurso. Não que fosse algo novo, pois sempre que alguém pretende fundar uma “nova” religião normalmente acha que esta reinventando a roda. O que me interessou foi muito mais qual o estilo “novo” que ele empregaria para esta sua nova religião.

Depois de alguns minutos ouvindo o tal sujeito, não tive dúvidas, era mais um que acha que vai melhorar a imagem religiosa cristã pintando as paredes com cores diferentes. Isto mesmo!

Analogamente comparo a alguns dias das minhas férias que tirei para pintar a minha casa, por dentro e por fora. E, modéstia parte, o fiz muito bem. A casa parece novinha em folha, ficou ótima. Mas não é porque a pintei que ela é “outra” casa. Apenas mudei sua aparência, o que é muito importante. Mas em se tratando de espiritualidade, a aparência não pode ser o mais importante. Não mudamos para melhor só porque damos uma roupagem nova para aquilo que cremos. E é isto o que tem acontecido. Aliás, este tipo de coisa existe desde que mundo é mundo. É sempre mais fácil dar uma roupagem nova do que de fato mudar.

Ainda usando a metáfora da casa; caso eu quisesse uma casa realmente diferente, eu teria que derrubá-la e refazê-la por completo. Foi este o exemplo que Cristo nos deu quando disse que derrubaria o Templo e em três dias o reergueria. Coisa que os judeus de sua época não compreenderam. Cristo não estava preocupado com a igreja de pedra, as construções religiosas. O que ele queria dizer é que nós, como seres humanos, é que deveríamos mudar, sermos reconstruídos, e isto só seria possível em sua morte e ressurreição, na busca de sua bendita pessoa santa.

O que temos cada vez mais aqui no Brasil é a aceitação evangélica como religião da moda. Uma religião que passou ser aceita comercialmente e politicamente. E o problema de ser aceita por estas duas instâncias é que a preocupação de ambas nunca é com a mudança real, mas apenas como a “pintura das paredes da casa”. O interesse destas não é pelos seres humanos enquanto tal, mas o que eles podem oferecer financeiramente e como poder político. A maioria das religiões, assim como a evangélica, não possui preocupação real com o ser humano, mas com aquilo que eles podem oferecer para o seu crescimento institucional. Pode perceber que em uma reunião entre religiosos falarão mais sobre coisas do que sobre pessoas. Eles sempre encararão que a igreja possui um enorme problema se ela não cresce quantitativamente, enquanto qualitativamente sempre será secundário; ou seja, as discussões estão sempre em torno de superficialidades. E mesmo quando nos deparamos com religiosos sinceros, com interesses genuínos, ainda assim estão sempre utilizando os mesmos caminhos errados dos demais, isto porque aprenderam errado. Acham que melhoram a vida das pessoas quando superficialmente lhes oferecem paliativos. E assim suas religiões crescem, quando crescem, quantitativamente. São religiosos despreparados, fracos, mirrados, limitados; e pior de tudo, pouco se esforçam para melhorar, para crescerem. Adoram citar e falar de grandes homens que caminharam pela Terra, mas eles mesmos não sonham em fazer parte deste grupo, eles mesmos não demonstram interesse em se tornarem assim também. Fazem de suas tarefas espirituais rituais, até mesmo profissões, menos um estilo de vida, um modo de ser, um destino a cumprir.

E as igrejas continuam embarcando nesta, com seus discursos insossos, repetitivos, rasos, com emocionalismo de novela das oito, inventando sempre “coisas” para manter seus religiosos entretidos, quando não estão fazendo os outros rirem estilo stand up, os fazem chorar por qualquer bobagem melancólica psicológica em púlpito; quando não aplaudindo ídolos gospel, forçando sorrisos enferrujados, nos fazendo orar mecanicamente, profetizar coisas que nem nós mesmos acreditamos, repetir frases prontas, inventar comportamentos quase que infantilizados, até nos fazem idolatrar-nos como se fôssemos pessoas melhores do que outros que não participam de nossas religiões, quando isto é uma mentira: pessoas não-religiosas ou de diferentes religiões muitas vezes manifestam comportamento muito mais ético e moral do que o nosso.

Então onde está o problema? Simples, apesar de não ser fácil: é que continuamos a “pintar paredes”! Não nos permitem viver a fé genuinamente, antes nos fazem agir apenas psicologicamente nos “convencendo” que estamos melhorando quando na verdade estamos estagnados. Pintando e pintando paredes, mas paredes velhas, rachadas, úmidas, esburacadas. 

Em seus discursos apresentam uma lista de coisas pecaminosas que os “ímpios” praticam, mas não tocam no assunto que a resignação, a negligência, a manipulação e acima de tudo o “não fazer o bem que se sabe”, é muito pior do que qualquer lista destas; pois são comportamentos daqueles que alegam “conhecer” a Verdade, mas não a praticam com excelência. O nome de Cristo vira apenas “carimbo” de final de frase pronta. As orações se tornam mantras ou frases aguadas, os milagres são travestidos de mandingas, as promessas bíblicas se tornam crendices ou fé na “sorte”, a ideia de Deus quase que vira história da Carochinha. Mas ainda assim conseguem reunir centenas de pessoas em seus templos para encherem-nas de bobagem e depois mandar todas de volta para suas vidas cotidianas semanais sem conteúdo real de cristianismo, até que o próximo final de semana volte e todos possam se “alegrar” mais um pouco. É quase comparado aqueles que esperam ardorosamente ir passear no shoping ou curtir um final de semana da praia, ou seja, passeiam, se divertem descarregam suas emoções e depois retornam para suas vidas banais capitalizadas. É isto o cristianismo? Uma repetição de comportamentos emocionais sem sentido, que querem sempre mais e mais?

Queremos ir pelo caminho mais fácil. Não queremos encarar o fato de que a religião evangélica está em falência, assim como qualquer outra religião. Não queremos encarar o fato de que Cristo não compactua com este discurso religioso que empregamos há anos no Brasil com status de gospel. Não admitimos o fato de que melhorar a música, o ambiente, colocar cadeiras limpas, recepcionistas sorrindo, discursos motivacionais; não são necessariamente sinônimo de cristianismo. Fazemos política nos bastidores, conchavos, nos submetemos a convenções, assembleias, partidos, amigos, menos a Cristo. Não enfrentamos cara a cara os arrogantes, os prepotentes, os religiosos nojentos e frescos que acham que mandam em igreja por terem poder, dinheiro ou influência; nos submetemos às mazelas das donas “Marias” só porque elas ameaçam sair de nossas igrejas, aguentamos os filhos mal educados de religiosos que entregam seus altos dízimos. Não enfrentamos líderes que se auto-fazem, quando mais atrapalham do que ajudam. Pagamos para alguns exercerem cargos em igrejas, quando outros que nem remunerados são o fazem muito melhor.  Desperdiçamos tempo com alguns que querem apenas afagos e batemos forte em muitos que apenas querem servir, ainda que de forma errada. Damos autoridade para quem sabe falar alto, mas ignoramos aqueles que falando baixo, são genuínos. Colocamos centenas pela portas da frente e perdemos muito mais pelas portas do fundo, um tipo de rodízio frenético de pessoas na igreja que aquele que chamávamos de Pedro hoje já se tornou o João, porque o Pedro já não está mais lá. Cantamos Família, mas vivemos como colegas de botequim. Isto porque Família assume todos os riscos para o resto da vida, enquanto colegas de botequim apenas querem se divertir de dar gargalhadas aos fins de semana.

Onde é que nós chegamos? E será que continuaremos mentindo para nós mesmos? Até quando? – “Louco, o que dará quando lhe pedir alma”?

Poucos são os que estão dispostos a encarar esta realidade. E estes, com certeza, não são os que farão mais sucesso, terão mais seguidores, terão os melhores carros e casas, serão os mais bem vistos. Ninguém quer estar perto destes, pois estes são chamados de “profetas do Apocalipse”, quando na verdade João Batista foi o primeiro a revelar tais coisas antes da vinda de Cristo na primeira parousia. E seguindo o exemplo de Cristo que: todas as vezes que Cristo falava a verdade cara a cara a seus seguidores, poucos o continuavam seguindo. Pois para seguir a Verdade é preciso encarar a própria mentira. A verdade sempre é nua e crua, é dolorida, vai profundo na ferida, não faz média nem rodeios. E os homens por excelência fogem destas coisas, inclusive eu! É por isso que devemos nos encarar no espelho sempre e admitir nossa mediocridade religiosa, para só então, quem sabe, voltarmos ao caminho correto.

Cristo é muito mais do que tudo isto que praticamos semanalmente, está muito além destes nossos discursos fajutos, destas nossas mandingas evangélicas, destes nossos rituais pragmáticos, dos nossos interesses mesquinhos de vivermos uma vida de luxo, arrogância e riqueza. E ainda bem que Cristo está acima de tudo isto, pois é exatamente este o motivo pelo qual o continuo seguindo, ao meu modo, ao meu estilo.

Continuarei pintando paredes, mas as paredes bem construídas. Espero!

Fabiano Mina

Debate cristão? Onde?

16 nov

Neste último domingo, dia 14/11, tive a (in)feliz oportunidade de ver na emissora Record, em rede nacional, no programa Domingo Espetacular, um programa que criticava o movimento neo-pentecostal do “cair no espírito”.

Nesta programação foi mostrado vários vídeos feitos em igrejas (neo)pentecostais brasileiras e internacionais, onde era possível ver diversas manifestações deste movimento citado, inclusive mostrando um vídeo onde a famosa cantora gospel Ana Paula Valadão também adere a este movimento em sua igreja em Belo Horizonte (sabedores que tanto Ana Paula como muitos outros ministros de louvor nas igrejas chamadas “históricas” já aderiram a estes movimentos há anos).

No programa apresentado havia um ex-pastor deste movimento da conhecida Igreja de Toronto (antes conhecida como Igreja do Aeroporto, hoje com o nome Catch the Fire Toronto), que fez a denuncia para a Rede Record, alegando que é um movimento falso, manipulador, visando exclusivamente enganar os fiéis para benefício próprio de seus propagadores. Movimento que já possui diversas críticas teológicas antes mesmo do Edir Macedo pensar sobre este assunto. O que levanta suspeitas do porque do interesse dele sobre este assunto só agora.

Como não poderia ser diferente, alguns líderes evangélicos da ala (neo)pentecostal já se manifestaram, e obviamente não poderia ser diferente, o pastor Silas Malafaia foi um dos que sai na frente em “defesa” deste movimento. Obviamente porque as igrejas pentecostais assembléias, com suas várias vertentes (no caso do Silas, a Assembléia Vitória em Cristo), também possuem algumas práticas parecidas (sem fazer aqui nenhum julgamento de valor, pois o tema que trago não é este).  Muitos que criticam estes movimentos possuem em sua teologia pessoal, a respeito dos dons espirituais, a “mesma” base teológica,  o que torna incoerente tais críticas.

Para quem não conhece este movimento do “cair no espírito”, basta fazer uma pesquisa no Youtube.com e poderá ver várias reportagens relacionadas. Mas o que foi demonstrado na Record não era apenas este movimento, mas também todas as manifestações físico-corporais que são praticadas nas igrejas pentecostais de um modo geral. Desde gritos, rodopios, saltos, imitações de animais, quedas no chão, movimentos de cabeça, membros, choros, etc. Para aqueles que já tiveram a oportunidade de conhecer as igrejas evangélicas (neo)pentecostais, sabem que não há novidade nestas críticas, e que tais manifestações são antiquíssimas; e motivo de críticas teológicas das mais diversas denominações cristãs, principalmente as históricas. É possível ver o vídeo da reportagem no site da emissora Record.

É sabido que há uma discussão teológica há anos a respeito destas manifestações, principalmente quando o movimento se propagou nos EUA no início da década de XX, quando igrejas norte americanas aderiram ao movimento chamado pentecostal. No Brasil este movimento se propagou pelas igrejas Congregação Cristã do Brasil e Assembléia de Deus, por missionários italianos e suecos, vindos dos EUA; e já no final do século XX propagado pelas igrejas neo-pentecostais norte-americanas. Já no início de século XXI várias igrejas evangélicas no Brasil já manifestavam movimentos iguais ou parecidos.

Mas o que quero observar é que estes líderes, que vez outra colocam em suas programações críticas uns contra os outros, são de fato representantes legítimos do Evangelho de Cristo no Brasil? Eles de fato são aqueles que deveríamos atender, dando ouvidos à Verdade divina? São eles os melhores propagadores das Escrituras, dos ensinamentos cristãos, da vida dos discípulos de Cristo? Na minha humilde opinião não!

Vi todo o programa na íntegra, da Rede Record, a respeito deste movimento, e foi uma crítica muito superficial, de mau gosto e com propósito no mínimo duvidoso. Digo isto porque a IURD ao lançar tais críticas deveria ser uma igreja que preza pela sã doutrina, por uma boa teologia, por uma auto-crítica, por lisura, etc., coisas que não são o seu forte. As críticas que foram apresentadas em seu programa são tão ruins que voltam-se contra ela mesma. Pois sua principal alegação é de que tais práticas são manipulativas, falsas e anti-bíblicas. Me surpreendi com esta posição do Macedo, pois quem diria a IURD fazer tal tipo de crítica a um determinado movimento evangélico, sendo que ela é exatamente a que mais recebe críticas neste sentido(!).

Do outro lado, vi o Sr. Sila Malafaia sair em defesa deste movimento no seu twitter-can e blog. Este sr. nem preciso dizer o quanto é incoerente, pois nunca vi um pastor que faz tantas críticas abertas a determinados movimentos, se ele mesmo o que mais adere aos movimentos que critica quando lhe convém. Não! Não sou contra uma pessoa voltar atrás em suas decisões, posicionamentos, ponto de vista. Eu mesmo fiz e faço isto diversas vezes em minha vida. O que me intriga é sempre o Silas, ao mudar sua posição com o passar do tempo, dar o ar de quem sempre teve um mesmo pensamento a respeito daquilo que antes criticava, e que todos que pensam o contrário, do que ele antes pensava, torna-se  um bando de imbecis, débeis, e até mesmo demoniados. Ou seja, ele critica, depois muda de opinião sobre o que criticava, passa então a elogiar o que antes criticava, e os que pensam como ele antes elogiava, mas agora critica, passam ser chamados de idiotas por ele.

O sr. Silas Malafaia tem a capacidade de criticar ou elogiar sempre que lhe convém. Basta dar uma pesquisada em suas “mudanças” teológicas ao longo de sua trajetória ministerial e irão me entender melhor. Isto sem falar que Silas Malafaia realmente se acha o “Paladino” dos evangélicos. Ele realmente acha que conhece mais ou entende mais de tudo do que todos. Na sua própria crítica ao Edir Macedo ele disse que o Macedo e sua trupe nada sabe de teologia, muito menos de expulsão de demônios. Ouvindo as palavras do Silas Malafaia, inclusive fazendo citações bíblicas fracas e superficiais para sustentar o tal movimento do “cair no espírito”, mostra exatamente o quanto ele também é fraco nos argumentos. Ressalvo um em que ele diz que o “Espírito faz o que quer com quem quer aonde quer”. Eu acredito que um cristão lúcido não discordaria disto. Mas devemos separar as coisas: uma coisa é dizer que o Espírito faz o que quer, e faz mesmo! Outra coisa é dizer que aquilo que o Espírito quer e “quis” fazer ele já não nos deixou registrado (Bíblia) para que pudéssemos identificar quando é Ele (Espírito) e quando são apenas manifestações falsas (seja da parte que for).

Este tipo de argumento que o Silas Malafaia é tão ruim, que ele mesmo não percebe que ao mesmo tempo que ele o utiliza para criticar o Edir Macedo, ele legitima as práticas na IURD. Pois se o Espírito faz o que quer e não podemos identificar ou discernir, então tudo o que o Edir Macedo promove em sua igreja tem o MESMO valor que o “cair no espírito” que o Silas Malafaia sai em defesa. Se tudo o que for estranho, duvidoso, de mau gosto, puder ser embasado com o argumento de que o “Espírito faz o que quer”, então TUDO é permitido ser feito nas igrejas com o mesmo argumento. Percebem o quão fraco e ao mesmo tempo perigoso é este tipo de argumento? Não sr. Silas, não podemos respaldar práticas sejam quais forem nas igrejas assim. Ele também utilizou os velhos e conhecidos versículos para justificas tais manifestações na Igreja. Mas são exatamente os velhos versículos isolados, fora de contextos e que ele sem nenhum critérios os utiliza para perpetuar determinada manifestação em determinado momento histórico da Igreja de Atos, sem atentar para tantas outras manifestações, encontradas no mesmo livro sem NUNCA terem sido vistas, repetidas e muito menos endossadas como práticas para os dias atuais. Como eu disse: ele sempre defende o que lhe convém.

Ele ainda tem a empáfia de defender o “famoso” pastor americano Benny Hinn. Para quem não sabe o Benny Hinn foi ou é tão criticado por suas “manipulações” espirituais como o Edir Macedo o é aqui no Brasil. Engraçado que o Silas Malafaia o defende exatamente porque ele mesmo admitiu no programa ter ido a esta determinada Igreja de Toronto e participado de uma das reuniões feitas por este pastor Benny Hinn; inclusive ministrando sobre este “cair no espírito”. O mais engraçado é que o Silas Malafaia justifica o motivo pelo qual ele mesmo não teria “caído no espírito”, enquanto, segundo ele, 95% das igreja teria caído, isto porque ele não estava na “direção da mão do pastor” Benny Hinn quando este havia gesticulado com a mão para todos caírem. Calma aí! Mas não foi ele mesmo quem defendeu que o Espírito faz o que quer como quer onde quer? O Espírito só derruba aqueles que estiveram na direção da mão de uma pastor? Que desculpa mais esfarrapada a esta? E para dar o ar de que é um pastor “lúcido”, ele tenta ser político. Diz  que ele mesmo nunca defendeu ou incentivou tal prática do “cair no espírito”. Oras! Mas se é o Espírito como ele defende, então porque não deveria incentivar, sendo que ele mesmo foi até Toronto exatamente para participar de tal manifestação? Querem mais incoerência do que isto?

Tem mais! O pior ainda é ver que o Silas Malafaia sai em defesa da Ana Paula Valadão, depois de ter brigado “públicamente” com ela, por notas em twitter e site pessoal (os dois),  tentando amenizar as críticas que ele mesmo fez a ela, diferenciando o que seria uma “desavença” com a cantora gospel, que ele teve, de uma “acusação” que o Edir Macedo teria feito ao alegar que este tipo de manifestação do “cair no espírito” da qual a cantora participou seria coisa de demoniado. Ah ta! Então quando é o Silas é desavença, e quando é o Edir Macedo é acusação?

Bom… já que estes dois senhores se acham no direito de alertar os “pobres coitados” do povo evangélico brasileiro a respeito das supostas manobras diabólicas que o diabo tem feito, eu me sinto no direito de respondê-los:

Senhores, vocês NÃO SÃO representantes do povo cristão no Brasil. E não me interessa se vocês são salvos, se são de Deus, se conhecem a Cristo; sinceramente isto não me interessa! O fato é que a doutrina e a fala de vocês não correspondem ao que grande parte dos cristãos, como no meu caso, pensam a respeito da Bíblia, da fé e de Cristo. Muito pelo contrário, em grande parte das vezes vocês trazem problemas para nós.

Não senhor Silas Malafaia, sua suposta apologia à fé cristã não nos agrada. Não nos sentimos defendidos por você, pode até ser que seus seguidores se sintam (tenho lá minhas dúvidas), mas não somos todos. Sua empáfia, seu linguajar, sua fraca teologia, sua indecisão doutrinária, suas brigas públicas, não nos dizem respeito. E pior ainda é quando você se auto-intitula defensor dos cristãos brasileiros ou da fé cristã. É aí que a “vaca vai pro brejo”; pois infelizmente muitos acabam nos identificando como sendo compactuantes dos seus pensamentos, quando na verdade NÃO SOMOS.

O mesmo digo ao senhor Edir Macedo. Antes mesmos de você pensar em abrir uma igreja, já existiam cristãos devotos que já lutavam contra práticas parecidas contra estes “modismos” espiritualistas. E digo mais: muitos lutam contra modismos das sua próprias denominação.

Não! Não são todos que concordam com sua postura senhor Edir Macedo, aliás, diria que uma parcela mínima de cristãos concordaria. A IURD não é uma igreja que deva ser catalogada como igreja cristã para muitos de nós, no máximo uma igreja católica travestida de evangélica. Posso até aceitar como evangélica,  mas cristã jamais – e alerto, estou falando da instituição e não dos que a frequentam. Não me cabe tal julgamento de quem é ou não cristão.

Mas quero ir além destes dois senhores. Esta visão superficial, práticas parecidas ou justificadas da mesma forma; manipulações, pirotecnia, emocionalismo barato, interesse político ou financeiro, pregações de mau gosto, músicas gospel superficial, modinha evangélica, teologia barata, escolas bíblicas de desinteressados, cultos massificantes, membros idólatras, e muito mais. Tudo isto JÁ ESTÁ DENTRO DAS NOSSAS IGREJAS. E “pior cego é aquele que não quer ver”.

Debate cristão? Onde? Me diga onde existe de fato, com cristãos de fato, com teologia de fato, com pregação de fato, com sabedoria e discernimento de fato. Me digam… farei questão de ir até lá e aprender um pouco mais.

Fabiano Mina

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